Os benefícios da atividade física para Diabéticos

Conhecendo a diabetes

Diabetes Mellitus (DM) é uma desordem metabólica crônico-degenerativa de etiologia múltipla que está associada à falta e/ou à deficiente ação do hormônio insulina produzido pelo pâncreas. Caracteriza-se por elevada e mantida hiperglicemia. Na DM ocorrem alterações no funcionamento endócrino que atingem principalmente o metabolismo dos carboidratos. A insulina interfere na manutenção do controle glicêmico, atuando na redução e manutenção a níveis considerados normais, mas também age no metabolismo das proteínas e lipídios, devido à que, além da ação hipoglicemiante, a insulina participa da lipogênese e proteogênese, sendo o principal hormônio anabólico. Assim, no diabético, vários processos metabólicos são perturbados. Associadas as estas alterações, temos outras macro e micro angiopáticas e neuropáticas periféricas e autonômicas – e a falta de adequado tratamento pode levar a inúmeras e severas complicações.

Quem deve acompanhar nas atividades?

Diabetes Mellitus é patologia extremamente prevalente na população. A atividade física orientada é parte essencial do tratamento da DM e traz inúmeros benefícios ao praticante. Contudo, deve ser prescrita e acompanhada por profissional qualificado com conhecimentos sobre fisiopatologia da diabetes, mas, também, e sobretudo, sobre avaliação física, fisiologia do exercício e educação física (esportes, ginásticas, danças, recreação etc.). Para orientar e alcançar os possíveis benefícios terapêuticos decorrentes da atividade física para diabéticos faz-se necessários amplos conhecimentos sobre metabolismo no exercício, terapêutica diabetológica e opções de modalidades para práticas, além de formação didático-pedagógica. Assim, o profissional indicado para prescrever e acompanhar atividades físicas com diabéticos, independente do tipo, especialmente no que diz respeito à orientação, deve ser o Professor de Educação Física especificamente qualificado para    tal.

Dos benefícios das atividades

As dificudades do tratamento estão relacionadas a mudanças no estilo de vida – dieta e exercícios, sendo que um estudo divulgado na revista The New England Journal of Medicine, indicou que a combinação de regime alimentar e exercícios físicos é mais eficaz que os medicamentos no tratamento da forma mais comum desta patologia. Segundo as modernas tendências, o tratamento se fundamenta em cinco aspectos essenciais que devem ser especificamente individualizados.

  • Alimentação saudável e equilibrada com baixo consumo de carboidratos de alto índice glicêmico;
  • Atividade física e terapêutica orientada e prescrita a partir de avaliação física para detectar as necessidades, capacidades e interesses desse diabético;
  • Auto-cuidados, incluindo especialmente automonitorização glicêmica, a fim de acompanhar possíveis alterações nas condições de saúde;
  • Medicação quando necessária;
  • Educação em saúde do diabético, para que seja possível administrar o tratamento com conhecimento e adequação, desenvolvendo-se a capacidade de observação e automanejo.

Em relação ao aspecto da terapêutica “Atividades Físicas”, é importante conduzir o diabético a:

  • Conscientizar-se da importância de praticar exercícios e manter uma vida ativa para promover a saúde;
  • Reconhecer e saber avaliar os efeitos das diferentes formas de atividades físicas sobre a glicemia sangüínea de acordo com variáveis como horário, tipo de exercício, volume, intensidade;
  • Saber realizar os ajustes alimentares e/ou medicamentosos para manutenção da homeostasia metabólica durante e após as práticas físicas.

Aptidão física pode ser considerada uma condição corporal na qual o indivíduo possui energia, vitalidade e as habilidades motoras suficientes para realizar as tarefas diárias e participar de atividades recreativas, isso sem excessiva fadiga. Como ressalta o senso comum, fazer exercícios é bom para a saúde e destaca não estar mais em discussão os benefícios do esporte, mas sim, qual a forma mais correta de praticá-los visando alcançar ou manter a saúde. Pois, tanto a falta quanto o excesso de exercícios podem ser danosos ao organismo, especialmente em se tratando de pessoas com problemas metabólicos, como diabetes.

Contudo, em muitas clínicas e hospitais, o que se encontra é um manual ou uma orientação verbal de que “o diabético deve fazer exercícios, de preferência regulares” – e comumente lhe é sugerido (ou insistido como única sugestão) que caminhe um tanto de horas por dia. Além de tudo isso, está amplamente provado que a atividade física é o mais importante fator de prevenção à diabetes e fundamental para reduzir a incidência da resistência periférica à insulina, o que caracteriza o tipo 2 da DM.

Assim, sendo a atividade física orientada tão vital para a manutenção e alcance de saúde para os diabéticos e exigindo-se avaliação individualizada, e sendo um aspecto preventivo e educativo no tratamento, a quem caberia fazer esta prescrição e acompanhar a terapêutica através de exercícios? Certamente ao Profissional de Educação Física devidamente qualificado.