Conceito de Treinamento Desportivo

Antes de conceituar o Treinamento Desportivo, torna-se importante precedermos com o conceito de treinamento. Segundo Martin (1972), treinamento é o processo que favorece alterações positivas de um estado (físico, motor, cognitivo e afetivo).

Outra definição indica que é o processo que torna o indivíduo apto para determinada atividade ou tarefa (Ferreira, 1985). No mundo inteiro, teóricos do Treinamento Desportivo o definem de diversas formas. O russo Matveev asseverou que o Treinamento Desportivo, como fenômeno pedagógico, é o processo especializado da educação física orientada, objetivando alcançar elevados resultados esportivos. Outra definição, do próprio Matveev, aponta que o Treinamento Desportivo é o preparo físico, técnico-tático, intelectual, psíquico e moral do atleta por meio de exercícios físicos.

No Brasil, Tubino & Moreira apresentaram conceito atual, afirmando que o Treinamento Desportivo é o conjunto de procedimentos utilizados na preparação de atletas para as diversas perspectivas de exercício do direito às práticas esportivas, objetivando que o atleta chegue à melhor forma competitiva nas épocas certas das exigências esportivas.

 

A planificação no treinamento desportivo

O treinamento desportivo deve estar o mais distanciado possível de toda improvisação, integrar os conhecimentos em um sistema estrutural e organizado e mais perto da ciência e tecnologia. O programa anual é uma ferramenta que norteia o treinamento atlético. Ele é baseado em um conceito de periodização, que, por sua vez, se divide em fases e princípios de treinamento. O conhecimento existente sobre a planificação esportiva, assim como o controle do treinamento, é algo que não deveria escapar a nenhum profissional.

É certo que treinadores que trabalham na área de rendimento esportivo aplicam este conhecimento de forma fundamentalmente empírica e individual, por outro lado, parece indiscutível a obrigação inerente a todo treinador de pôr em prática seus conhecimentos de forma acertada, com o fim de programar o treinamento dos atletas, recolher a máxima informação possível que se desprende do processo de treinamento e integrar todo ele para tirar conclusões que permitam melhorar o rendimento de seus atletas.

O principal objetivo do treinamento é fazer com que o atleta atinja um alto nível de desempenho em dada circunstância, especialmente durante a principal competição do ano com uma boa forma atlética.

Os conceitos da planificação para Sancho, J. A. (1997) citado por Forteza (2000) são os seguintes:

  • A planificação não intuitiva, não pode ser na sorte. Pelo contrário, tem que seguir um processo, deve como se falou em alguns momentos, planificar-se.
  • Os objetos devem estar de acordo com os problemas e necessidades, devendo aqueles estabelecer-se e determinar-se claramente. Pelo contrário se corre o risco de planificar um processo encaminhado para algo diferente de que realmente se precisa para o primeiro dos casos e sem saber para que no segundo.
  • As metas, os objetos e em última instância os fins devem ser alcançáveis, realistas o que não exclui certa ousadia e certo nível de risco.
  • A planificação é um processo seqüencial e logicamente ordenado, não se desenvolve tudo, simultâneo e nem caprichosamente.
  • A planificação está imersa no meio ambiente, não podendo nem desprezar nem trabalhar a margem do mesmo.
  • Toda planificação pressupõem uma troca efetiva com respeito a situação existente de como se começa.

Forteza considera que a planificação do treinamento desportivo é a organização de tudo o que acontece nas etapas de preparação do atleta, é então o sistema que inter-relacionam os momentos de preparação e competição. Nessa definição deixa aberto o problema atual da planificação para o rendimento competitivo.

Estrutura e planificação são dois termos inseparáveis no processo de preparação desportiva, mas são diferentes.

A estrutura é organização que adotará o período de tempo tanto de treinamento como de competições. A estrutura do treinamento tem um caráter temporal, portanto, considera um início e um fim do processo de preparação e competições e estará determinada fundamentalmente por:

  • O calendário competitivo que considera o número de competições, a frequência, o caráter e a dispersão ou concentração das competições em um período de tempo dado.
  • A organização e dosificação das cargas, que considera se estas serão diluídas ou concentradas, a concepção que se adote no caráter da carga, quer dizer, a proporcionalidade entre as cargas gerais e as especiais.
  • As direções de treinamento, objetos de preparação que considera as direções determinantes do rendimento (DDR) e as direções condicionantes do rendimento (DCR).

A estruturação do rendimento desportivo é hoje por hoje uma das principais condições para obter um resultado esportivo em qualquer esporte.

“Uma perfeita estruturação do treinamento garante não só a obtenção de resultados no âmbito mundial se não ademais procura assegurar a longevidade esportiva de nossos atletas…”(Forteza, 1999).

A paternidade de uma teoria científica e ainda válida ainda que com profundas modificações sobre a estrutura e planificação do rendimento se devemos ao Russo I. Matveiev. Se atualmente existem diferentes conceitos sobre qual estrutura de treinamento é melhor e que todas elas partem da proposta inicialmente pelo russo Matveiev desde os anos 60, considerando os pioneiros Kotov, 1916, Grantyn, 1939, Letunov, 1950, Ozolin, 1949, Gorinevski, 1922 e Pinkala, 1930.

Para analisar qualquer estrutura atual do treinamento é necessário partir da formulada por Matveiev e conhecida mundialmente por periodização do treinamento.

Periodização e planificação são conceitos diferentes: a periodização é a estrutura temporal e a planificação é a integração do processo de obtenção do rendimento.

A periodização do treinamento desportivo

A forma geralmente concentrada da preparação dos atletas é a organização do treinamento através de períodos e etapas.

A periodização é um dos mais importantes conceitos do planejamento do treinamento. Esse termo origina-se da palavra período, que é uma porção ou divisão do tempo em pequenos segmentos, mais fáceis de controlar denominadas fases. Esta forma de estruturas o treinamento desportivo tem como seu idealizador o russo Matveiev sendo criada nos anos 60 durante até nossos dias. Baseados nos ciclos de super compensação, criados pelo Austríaco Hans Seyle e modificado pelo grande bioquímico esportivo o russo Yakolev, Matveiev idealizou a periodização do treinamento apoiado em avaliações estatísticas do comportamento em atletas de diversas modalidades esportivas da Ex. União Soviética nas décadas dos anos 50 e 60.

Esta periodização fundamentava a premissa de que o atleta tem que construir, manter e depois perder relativamente a forma esportiva no largo dos grandes ciclos anuais de treinamento.

Desta forma a periodização do treinamento desportivo pode ser entendida como uma divisão organizada do treinamento anual ou semestral dos atletas na busca de prepará-los para alcançar certos objetivos estabelecidos previamente, obter um grande resultado competitivo em determinado ponto culminante na temporada esportiva. Estas três fases de aquisição, manutenção e perda temporal da forma esportiva se transformou em um âmbito mais geral nos três grandes períodos do treinamento desportivo ao saber: período preparatório, competitivo e transitório, ou seja:

  • O período preparatório é relativo a aquisição da forma esportiva.
  • O período competitivo é relativo a manutenção da forma esportiva.
  • O período transitório é responsável pela perda temporal da forma esportiva.

O esquema de Matveiev se tem demonstrado que é muito rígido no que se diz respeito das diversas fases da preparação esportiva, considerando-se que para diferentes modalidades esportivas e diferentes atletas são as mesmas e possuem relativamente a mesma duração.

Vários estudos se têm realizado, um de forma complementaria e para aperfeiçoar a periodização de Matveiev (Platonov, 1988, Harre 1988, Ozolin, 1989, Forteza, 1990, Viru, 1991) e outros tentando romper com esta forma tradicional de estruturação do treinamento (Verjoshanky, 1990, Tschiene, 1986, 1988, Bondercsiek com Tschiene, 1985). Observe o quadro resumo sobre as características fundamentais da periodização de Matveiev (Forteza A., 1999).

 

Algumas críticas surgiram sobre a periodização de Matveiev e seus seguidores:

Weineck, 1989 afirma que a preparação geral tem sentido apenas para elevar o estado geral de preparação do atleta de que por se já está elevado pelos anos de treinamento realizados. Por esta razão segundo ele não se desencadeiam nos atletas os processos adaptativos para uma nova capacidade de resultados aumentada.

Para Gambetta, 1990 o modelo Matveiev é válido somente para as primeiras fases de treinamento considerando-se que ao aumentar o nível de rendimento dos atletas se deve aumentar também a porcentagem de utilização dos meios de preparação específica.

Bompa, 2001, argumenta que não existe com os calendários competitivos atuais tempo disponível para a utilização de meios de preparação geral que não correspondem as especificidades concretas do esporte em questão. Este plano coincide com o assinalado a respeito no início deste capítulo.

Tschiene, 1990, um dos autores que tem mais discutido a periodização de treinamento desportivo, fala sobre a importância de uma preparação individualizada e específica com altos índices de intensidade durante o processo atual de treinamento desportivo, o que não acontece na periodização tradicional de Matveiev, falando que seu esquema é muito rígido em que se refere as diversas fases da preparação desportiva, considerando que para diferentes esportes e atletas são as normas e possuem relativamente a mesma duração. Também chama a atenção para a importância de novas formas alternativas de estruturação do treinamento desportivo.

Verjoshansky, 1990, coloca que a periodização de treinamento desportivo, quando foi entendida tinha como base resultados competitivos muito mais baixo e de um nível de oxigênio muito menor que as atuais pelo que esta forma de estruturar o treinamento se deve conceber unicamente para atletas de nível médio e não em atletas de elite que trabalham com exigências maiores.

Bondarchuk com Tschiene, 1985 e com Marquez 1989 afirmam que não há transferência positiva da preparação geral para a preparação especial nos esportes de alto nível.

Matveiev, 1990 respondeu algumas dessas críticas principalmente no que se diz respeito a utilização das cargas gerais e os altos volumes de trabalho nas fases básicas de treinamento colocando que este é um fator que não pode ser contestado e muito menos eliminado. Em nesse fenômeno os conteúdos específicos e vice versa.

Os principais problemas encontrados na prática concreta do treinamento desportivo estão relacionadas sem dúvida nenhuma com as calendários variados dos ciclos competitivos ao largo dos anos e com o grande número de competições que existem durante o ano.

As formas de estruturas do treinamento desportivo acima, são aquelas que tentam aperfeiçoar a periodização de Matveiev ou as que pretendem romper com ela, é evidente que estas formas não encerram as variadas possibilidades de estruturação de treinamento desportivo mais são atualmente as mais discutidas na literatura internacional especializadas no tema.

Para fecharmos essa idéia com clareza sobre treinamento, periodização e planificação, fica entendido que por mais estudos que tenha feito no âmbito científico, ainda prevalece muito do conhecimento empírico do treinador na hora de periodizar um atleta (isso quando ocorre uma periodização, muitos utilizam o método Russo Nascoshowisk (nas coxas))

Por vezes, a idéia acaba dando certo como vemos em muitos treinadores, por outros motivos estarem envolvidos no treinamento, como a própria vivência na atividade, motivação, entre outros fatores. Porém como citado acima não é assim que tem que ser, tem que planejar se quiser render de verdade. Converse com seu treinador!